Arquivo | março, 2011

Gestão e liderança: qual é a diferença?

24 mar

É muito comum haver a confusão entre os papeis de um líder e de um gestor dentro de uma organização, visto que ambos exercem funções claramente semelhantes. Então há alguma diferença, de fato, ou trata-se de sinônimos?

Antes de nos aprofundarmos nesse ponto, porém, faz-se necessário que dediquemos um tempo para compreender os seus significados. De acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, temos as seguintes definições:

Gestor =

  • 1. Gerente.
  • 2. Administrador

Líder =

  • 1. Pessoa que exerce influência sobre o comportamento, pensamento e opinião de outros.
  • 2. Pessoa ou entidade que lidera ou dirige.
  • 3.Chefe de um partido ou movimento político.

Ou seja, podemos levantar características em comum às atividades de ambos, tais quais: direcionar pessoas, encabeçar planejamentos, tomar as decisões pelo grupo, comandar. Mas existe uma diferença crucial entre um líder e um gestor, uma que ganha menos destaque do que mereceria na bibliografia sobre comunicação interna, mas que define a tomada de rumos opostos na execução de uma comunicação eficiente.

Enquanto o gestor é responsável por administrar uma equipe, garantir a execução das tarefas no departamento, ocupando um cargo de superioridade hierárquica imposta pela organização, o significado de líder vai muito além disso. O líder é admirado pelas pessoas ao seu redor, ele tem incrível poder de afetar as pessoas, muitos respeitam suas ideias e palavras. Não que tais sentimentos sejam negados a um gestor, mas ao líder eles são quase indispensáveis.

Um líder é um grande comunicador, capaz de expor seus argumentos de maneira segura, e ao mesmo tempo, branda. O verdadeiro líder tem habilidade com as palavras, tem uma postura confiante, sabe se vender, vender seu trabalho e seus pensamentos, sabe motivar e engajar quem o acompanha.

Um pouco fundamental para destacarmos aqui é que ser líder não necessariamente significa ser o chefe, ter subordinados, vamos deixar claro. Os líderes estão em todos os ambientes: na rodinha de adolescentes, no time de futebol, na sala de aula, no escritório. Liderança não é sinônimo de alta colocação no organograma corporativo. Um líder pode ser ou não um gestor, e um gestor pode ser ou não um líder. Mas o gestor que for também um líder alcançará patamares muito elevados em relação aos que não o fizerem.

O gestor que não é um líder é o Príncipe de Maquiavel: é respeitado pelo medo, e não pela admiração. Embora muitos pensem que o método é eficaz, os resultados desse modelo costumam funcionar apenas em curto prazo, mas não se prolongam. Os subordinados do gestor-príncipe se acostumam a agir mediante “punições” caso não desempenhem seus papeis com eficácia. Já a equipe de um gestor-líder costuma estar tão engajada e comprometida com seu trabalho, que o exerce com excelência sem que precise ser repreendida.

Claro, os exemplos expostos acima não são via de regra e chegam a apresentar forma até mesmo caricata, mas embasam perfeitamente situações reais. É por isso que, cada vez mais, as organizações estão investindo na instrução de seus gestores com os principais fundamentos da comunicação servindo como um guia. O desenvolvimento das empresas e de seus profissionais está totalmente atrelado à capacidade e à habilidade de comunicação desses profissionais, que são os pilares da instituição. Os valores das instituições devem ser transmitidos a partir desses gestores, a quem, esperamos um dia  poder nos referir, necessariamente, como LÍDERES.

Por Patrícia Coelho